Inteligência Socioambiental Estratégica da Indústria do Petróleo na Amazônia

Por Antonio José Inhamuns, DSc
Coordenador da Excursão
Área de Socioeconomia

Partimos do porto do Hotel Tropical às 19 horas no dia 2 de setembro. Era a terceira excursão do PIATAM em 2005 e 23 já foram realizadas desde o início do projeto em 2001. Houve uma breve reunião de apresentação das equipes, seguida dos preparativos para o primeiro dia de campo. Participaram desta excursão as equipes de Entomologia, Solos, Macrófitas Aquáticas, Ecologia de Peixes, Ictioplâncton, Socioeconomia, Limnologia e Malária, além da equipe de Robótica, convidada da Petrobras.

Ao amanhecer do sábado, já próximo à Ilha do Baixio, percebemos o reduzido nível das águas do rio Solimões, revelando o que ele nos reservaria por toda a viagem. O Paraná do Baixio estava seco em alguns pontos, obrigando o barco a ficar aportado abaixo da ilha. Os grupos seguiram nos botes para seus trabalhos, contando com a ajuda de um dia nublado para amenizar o calor. Chegando à comunidade de Santa Luzia do Baixio tivemos uma grata surpresa, os moradores agora dispunham de 24 horas da sonhada energia elétrica. A equipe de Robótica testou o protótipo de robô anfíbio no solo de várzea pela primeira vez e a tripulação e as equipes observaram a tudo atentas. Felizmente, apesar da dificuldade de deslocamento resultante da seca, os trabalhos foram desenvolvidos sem contratempos.

O domingo amanheceu ensolarado. Notamos que em frente à Costa do Pesqueiro II havia muitos bancos de areia, além de praias no canal do rio Solimões, o que forçou o barco a aportar distante da comunidade Nossa Senhora das Graças. As atividades se desenrolaram sem incidentes, exceto pelo pescador Walter, popular “China” que teve o augúrio de ser mordido duas vezes por uma mesma piranha, no mesmo dedo. Neste ponto nosso amigo “curativeiro” (enfermeiro Alexandre) iniciou sua atuação. Os celulares voltaram a tocar e o contato com familiares foi restabelecido.

Na segunda-feira, o barco Bahamas amanheceu ao lado do Felizares II. Era o “Dia da Imprensa”. Às 08h30min recebemos os repórteres, vindos de várias partes do Brasil, para que fossem apresentados aos pesquisadores e técnicos que estavam participando da excursão. A seguir ocorreram várias entrevistas com pesquisadores, visitas aos locais de pesquisa e demonstrações das atividades de campo de várias equipes. À tarde aconteceu a visita à comunidade Nossa Senhora das Graças para que os repórteres conversassem com as lideranças comunitárias. Fomos recepcionados com cânticos de boas vindas pelas crianças da comunidade, sob coordenação da professora Giselle. Seguiram-se as entrevistas e visitas e às 18 horas a equipe de imprensa embarcou de volta a cidade de Manaus e nós prosseguimos a viagem.
Na terça-feira, amanhecemos na Costa do Paratari I, em frente à comunidade Nossa Senhora de Nazaré. A hélice do Felisares II, perdida na excursão anterior, foi encontrada por um comunitário e devolvida ao comandante. A equipe de Robótica realizou alguns novos testes com o robô, carinhosamente alcunhado de “Andrezinho”, em uma das ilhas temporárias formadas em frente à comunidade. Devido às baixas águas, atolaram-se criador e criatura.

No dia seguinte, o Paraná do Iauara nos surpreendeu, pois estava reduzido a um estreito curso d’água, possibilitando a passagem apenas de pequenas canoas. Contamos então com a prestimosa colaboração do comunitário Sr. José Raimundo, que de posse de um bote com motor rabeta, ficou à disposição das equipes durante todo o dia. Na tarde deste mesmo dia, desabou um forte temporal com muito vento durante algumas horas, o que forçou o comandante da embarcação a procurar abrigo na Ilha do Ajaratuba. Notamos que, nesta época, é grande a dificuldade dos comunitários de Bom Jesus para conseguirem água potável.

Ao chegar à Terra Nova, na quinta-feira, observamos uma grande extensão de terra caída em frente à comunidade de Sto. Antonio. Algumas casas foram desmontadas e reconstruídas nos fundos da comunidade, para onde também deverão migrar a escola, a sede social e a igreja. Para nossa surpresa, o lago Ananá estava seco, impedindo o trabalho de algumas equipes e dificultando de outras. Neste mesmo lago, a equipe de Ictiofauna (China, Shazan e Flávia) imobilizou, fotografou e, em seguida, liberou, um jacaré-tinga de 2,5 metros. Os heróis foram ovacionados pela coragem.

Na Ilha do Matrinchã, fomos recepcionados por um enorme banco de areia, impossibilitando nossa aproximação da comunidade Matrinchã. Nesta sexta-feira, a equipe de Socioeconomia caminhou por uma hora e meia, com mais 15 minutos de canoa a remo, para chegar à comunidade. Os comunitários estavam isolados e com dificuldades para conseguir água potável. A navegação tinha que ser realizada com muita cautela. A equipe da malária teve a grata satisfação de avistar que havia uma onça rondando um de seus pontos de coleta.

No sábado, encontramos o Paraná do Nazária seco, com um grande banco de areia em frente à Ilha do Júlio. Embora com dificuldade, o barco conseguiu aportar na comunidade Lauro Sodré. Novas peças de cerâmica foram encontradas por comunitários no sítio arqueológico. Entretanto, em face da ausência de um pesquisador da área de Arqueologia, orientamos os comunitários a preservarem as peças, pois em uma próxima viagem os especialistas entrariam em contato com eles. Os comunitários relataram a ocorrência de afloramento de cerâmicas em novas áreas da comunidade. A tripulação do Felisares II prestou socorro a uma embarcação encalhada na outra margem do rio Solimões, mas infelizmente os esforços foram infrutíferos.

Novamente é domingo. Chegamos na Costa da Santa Rosa, na comunidade Esperança II. Avistamos uma grande restinga em frente à comunidade, abaixo do furo do lago Puraqué. Desta vez as equipes de Ictiofauna e Macrófitas caminharam 45 minutos na mata para chegar ao lago. Foi um dia de trabalho frutífero, exceto para a equipe da Malária que registrou poucas picadas/homem/hora neste ponto. Os celulares voltaram a tocar.

Um dia de trabalho árduo nos esperava na segunda-feira. O lago de Coari estava com pouca profundidade e muitos bancos de areia. O Felisares II não tinha condições de navegar em seu leito. As equipes foram distribuídas em quatro botes para enfrentarem uma jornada de cerca de duas horas lago adentro, com um sol exuberante. A comunidade de Sta. Luzia encontrava-se em grande movimentação com a chegada do material para a construção de uma nova escola, estréia de um novo grupo gerador e a perfuração de um poço semi-artesiano. Serão novos tempos no lago de Coari. Às 17 horas partimos com destino a Manaus, e às 14h30min da terça-feira, 13 de setembro desembarcamos no porto da Panair.





Veja também
Diário de bordo do pesquisador Antonio José Inhamuns
Diário de bordo da pesquisadora Katia Cavalcante
Diário de bordo do pesquisador Carlos Freitas

 

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