Inteligência Socioambiental Estratégica da Indústria do Petróleo na Amazônia

Diário da 6a Excursão do Piatam - de 10 a 20 de julho de 2005.
Por Katia Cavalcante

Dia 10 de junho foi o dia de deixar Manaus, depois de todos os preparativos. A equipe Piatam embarcou no Porto da Ceasa. Todos prontos, partimos pouco depois das 18:30h, cruzando o Furo do Paracuúba até atingir o rio Solimões. Sem contar com a tripulação, éramos 24 pessoas. Mas logo seríamos 26. Mais dois pesquisadores convidados iriam juntar-se à equipe no domingo. O balanço do rio, os banzeiros e o intermitente trepidar do motor seriam nossos companheiros ao longo dos 12 dias de excursão.

Os trabalhos tiveram início às 20:30h com uma reunião de apresentação das atividades a serem desenvolvidas em campo, para que desta forma a convidada de honra, a professora Maria Tereza Prost – membro do Comitê Científico do Piatam e integrante do Piatam Mar, elaborasse seu plano de acompanhamento dos trabalhos.

No primeiro dia de campo fomos brindados com um lindo amanhecer onde o Sol brilhava nas águas cheias do Solimões. Era sábado e a comunidade Sta. Luzia do Baixio estava em preparativos para o campeonato de futebol que aconteceria no domingo. As equipes foram iniciando suas atividades uma a uma: a Ictiofauna lançando as redes de pesca, a equipe de Macrófitas realizando o cerco e arrasto das espécies, a coleta do plâncton sendo realizada pela equipe de Larvas de Peixe, a turma da Malária coletando as larvas dos mosquitos na margem dos lagos. A batimetria da várzea – coleta específica deste período hidrológico, foi realizada pela equipe de Modelagem, as amostra de água e sedimentos foram coletadas pela equipe de Limnologia. A equipe de Botânica saiu em busca de flores e frutos que caracterizam a paisagem do Piatam. A equipe de Socioeconomia coletou os dados para a manutenção/atualização dos dados socioeconômicos, mas também iniciou as atividades de intervenção e capacitação dos comunitários. Sob a luz do luar, a equipe de Malária retornou ao campo para expor-se e coletar os mosquitos vivos.

É o segundo dia de campo e estamos na comunidade de Nossa Senhora das Graças. As atividades seguem sua rotina com cada equipe se deslocando até seus pontos de coleta. Com a chegada dos dois estudiosos de aves, a hora de início dos trabalhos é alterada para as cinco horas da manhã. Eles iriam observar a avifauna visando a detecção dos efeitos de perturbação ambiental sobre a população de pássaros. A equipe de Socioeconomia, ao encerrar o trabalho de capacitação, assistiu a apresentação musical feita pelas crianças da comunidade, que criaram uma paródia musical para Piatam.

O Sol tem sido nosso companheiro de labuta. Estamos no terceiro dia e todos apresentam o famoso bronzeado de campo, ou seja, mãos, braços e rosto rosados, apesar dos filtros de proteção solar. A comunidade é Nossa Senhora de Nazaré, os trabalhos ocorrem com tranqüilidade.

Chegamos na comunidade de Bom Jesus no Paraná do Iauara, a mais atingida pela cheia até o momento. Todo e qualquer deslocamento da equipe tem que ser de “voadeira” (motor de polpa), pois resta à comunidade uma estreita faixa de terra somente. Neste ponto de coleta os pesquisadores têm a oportunidade de telefonar para seus familiares e, para nossa surpresa, o telefone estava dentro d’água.

A rotina da coleta, o balanço e o banzeiro do rio, associados ao intermitente trepidar do motor, faz com que percamos a noção de tempo. O calendário marca 15 de junho e estamos na comunidade de Santo Antonio. Ao amanhecer ocorre o lançamento do boletim “O PIATA” que registra fatos e frases corriqueiras dos pesquisadores e da tripulação. Torna-se a sensação no café da manhã. Neste marco Piatam sempre acontece um fato interessante - a chuva. Apesar do tempo instável, os trabalhos de campo continuam, a equipe de Ictiofauna começa a coleta de espécies bentônicas no Lago Ananá.

O sexto dia de coleta traz uma novidade. Estamos sendo acompanhados por um rebocador, pois uma das máquinas do barco Felizares foi a pino. Tal fato porém não impediu a realização da excursão. Chegamos à comunidade de Matrixã. O ritmo das coletas, o armazenamento das amostras, a entrada de dados nas planilhas e a participação nas oficinas tomam todo o tempo das equipes.

O amanhecer em Lauro Sodré prometia um dia quente, e o foi. O consumo de água que abastecia cada equipe que se dirigia ao campo foi redobrado. As equipes continuam as coletas. Neste ponto realiza-se o monitoramento fotográfico do sítio arqueológico, uma vez que as águas subiram e por muito pouco não cobriram todo o sítio.

A penúltima comunidade é Esperança II, segunda comunidade localizada no município de Coari. Aqui as equipes de socioeconomia e malária fazem a festa. A comunidade estava totalmente articulada e esperando as oficinas. Os trabalhos de capacitação começam às 14:00h terminando, às 20:00h. A equipe de Malária faz coleta record de mosquitos, coletando inclusive na cabine do barco. Temos agora um novo companheiro de viagem: o luar. Este deixa tudo prata e faz com esqueçamos um pouco o cansaço e a saudade de casa.

É domingo, o dia amanhece nublado e o lago do Aruã, sempre muito traiçoeiro com seus banzeiros fortes, traz cautela às primeiras equipes de coleta - Ictiofauna e Avifauna. Depois o tempo abre e Sol ilumina aquecendo em demasia, tornando um dia típico dos trópicos. E como domingo é Domingo, em todos os lugares do mundo, mesmo aqui na comunidade Santa Luzia do Buiuçuzinho, observamos aquele ar de repouso absoluto, praticamente só encontramos as mulheres e crianças, os homens e jovens foram para outra comunidade disputar um campeonato de futebol. Isto, porém, não impede a realização dos trabalhos de campo. A equipe de Socioeconomia acerta o horário da oficina para após o horário do jogo, permitindo assim a participação dos jogadores. As 22:00h, quando a equipe da Malária retorna ao barco, é hora de largar as amarras e partir de volta a Manaus.

Dia 20 de junho. Todos estavam entregues ao balanço do rio e àquele barulhinho do motor, a obrigatoriedade do levantar cedo foi trocada pelo sono que tudo recupera. Depois de uma manhã embalada pelo rio, do sentar preguiçoso e observar a paisagem, do dar adeus para as crianças que correm para ver o passar dos barcos. O coordenador da excursão realiza reunião de trabalho que trata dos bons resultados da 6a excursão do Projeto Piatam. Entre eles podemos citar: Malária - coletou 10632 mosquitos; Botânica - Coletou 102 plantas não repetidas (flores e frutos); Ictiofauna – encontrou espécies bentônicas próprias de rio no canal do Paraná do Iauara.

Dia 21 de junho todos acordam cedo. As bolsas, mochilas, caixas com material coletado, tudo arrumado. O Sol banha o Felizares que cruza o furo do Paracuúba e atinge o Rio Negro. Os telefones celulares são acionados e a frase que mais se ouve é “chegaremos no porto às 7:00 horas”. A equipe Piatam chega a Manaus e em breve se prepara para a próxima excursão, que desde já desejamos que seja UMA BOA VIAGEM!!!







Veja também
Diário de bordo do pesquisador Antonio José Inhamuns
Diário de bordo da pesquisadora Katia Cavalcante
Diário de bordo do pesquisador Carlos Freitas

 

AltSoluções Interativas