Inteligência Socioambiental Estratégica da Indústria do Petróleo na Amazônia


Excursão Piatam de 22/03 a 02 de abril de 2007
Por Maely Amaro (Pedagoga- ACDM)

Esta é a primeira excursão de 2007 do projeto Piatam. Como acontece na maioria das excursões do projeto, o embarque deu-se no píer do Tropical Hotel, no dia 22 de março de 2007, precisamente às 19: 30h. Saíram dois barcos. No primeiro, o Maruaga, estavam pescadores, uma enfermeira e as equipes das áreas de Ecotoxicologia, Ictioparasitologia, Ictioplancton, Malária, Mamíferos Aquáticos, Entomologia, Flora, Ictiofauna e Macrófitas. No segundo barco, o Forest I, estavam as equipes da Modelagem, Comunicação Design e Multimídia (ACDM), Linminologia, Socioeconomia, Solos, Tecnologia da Informação e Arqueologia. Estava também no barco Clóvis Ferreira, analista técnico de projeto da Finep, que participou da viagem por quatro dias.

No barco, o coordenador, Warley Arruda, passou as informações necessárias sobre instalações, tripulação e horários das atividades. Os líderes das equipes organizaram em seus grupos para a execução dos trabalhos.

23/03/07 - 1º Comunidade – Santa Luzia do Baixio

Após o café, as equipes se organizam e saíram para a coleta de dados. É muito gratificante perceber o empenho, a seriedade e a dedicação dos pesquisadores neste desafio! A primeira impressão que temos é de encantamento com este local, que é lindo! Não poderia ser melhor essa sensação de boas vindas. A brisa suave nos recebe e com ela o belo sol nos aquece. A beleza nativa deste lugar encanta quem se deixa encantar... (desculpe a redundância). Foi uma recepção e tanto!

Nossa equipe (ACDM) acompanhara a Professora Kátia Cavalcante (coordenadora da Área de Tecnologia da Informação) e também conosco o analista técnico de projeto da Finep, Clóvis Ferreira, para fazer o reconhecimento da comunidade. Fomos até a escola e depois de estabelecido o contato com a direção, caminhamos pela área esquerda (terra firme), percorrendo vários terrenos onde os ribeirinhos estavam cultivando plantações e jardins. No percurso percebíamos o cuidado de cada morador com o local, limpo e agradável.

Tivemos que retornar à escola, pois marcamos com as crianças às 10h. A finalidade do encontro era a de estabelecer um diálogo com o público infanto-juvenil para realizar um diagnóstico, com perspectivas de construir recursos didáticos a partir dessa realidade. O encontro com as crianças ribeirinhas foi maravilhoso, elas são muito especiais! Foram receptivas e interagiram no diálogo e nas atividades propostas, com elas cantamos e nos divertimos muito. Foi gratificante!

Aqui encontramos crianças ociosas, curiosas, almejando algo diferente, nem que fosse uma simples música da pré-escola que faça mexer o corpo e a alma, alimentando as suas esperanças. Não podemos deixar de ressaltar o meigo Elias (8 anos). Ele é um encanto e tem deficiência auditiva, mas nem por isso é discriminado por seus colegas e amigos. O carinho de todos que o cercam é explicito.

No turno vespertino, nos reunimos com os alunos a partir das 16h, a maioria adolescentes (12 a 17 anos) estudantes da 5º a 8º série do Ensino Fundamental. A queda de energia dificultou um pouco o trabalho, mas não desistimos, foi uma conversa descontraída e com algumas dinâmicas.

Como a reunião da equipe da Socioeconomia fora marcada com os comunitários para as 18h, retomamos a programação neste horário, recebendo crianças e adolescentes. Na oportunidade, desenvolvemos algumas atividades de pinturas e apresentamos o site do PIATAMzinho. Tivemos que adequar a metodologia, mesclando estrategicamente as atividades, levando as crianças menores para desenvolver brincadeiras ao ar livre enquanto os adolescentes navegavam pelo site do PIATAMzinho. Eles ficaram tão encantados com o acesso àquela tecnologia que não queriam interromper a atividade. Já eram 21 h quando encerramos as atividades no primeiro dia.

Durante os três turnos (matutino/vespertino/noturno) atendemos 68 crianças e adolescentes com atividades diversificadas. Foi exaustivo, porém muito gratificante o contato com a primeira comunidade e podemos afirmar que esse retorno foi positivo e nos impulsionou a seguir o percurso com muita garra e entusiasmo. O que marcou, além de toda exuberância do local e empatia das pessoas que aqui residem, foi o próprio movimento de como acontecem as relações entre eles e com o meio em que vivem. É perceptível a alegria no rosto de cada ribeirinho que nos acolhe com tanta hospitalidade e carinho. Ufa! Foi marcante, emocionante!

24/03/07 – 2ª Comunidade: Nossa Senhora das Graças

As equipes saem na perspectiva de executarem suas atividades, todos muito bem equipados e preparados adequadamente para seu trabalho, primando pela melhor qualidade. Nesta comunidade, estabelecemos contato com a professora Gisele, a qual nos fez companhia durante toda manhã, conversando e nos mostrando, aos poucos, a comunidade, suas necessidades e anseios.

À tarde, recebemos 31 crianças no Centro Social. O sucesso foi total com o jogo da memória e o quebra-cabeça. A música do indiozinho superou as expectativas. A revelação foi à criança Weverton (3 anos) participativo e muito disposto. Aliás, essa comunidade se destacou por suas crianças inteligentes, organizadas e participativas. A alegria e o entusiasmo das crianças contagiaram as equipes. O resultado deste segundo dia pode ser descrito nas palavras do técnico da Finep, o Sr. Clóvis: “Sucesso total, hein professoras!”... E da socióloga Samia Feitosa: ... Nunca mais viajo sem vocês!
Aqui o telefone ainda é sinônimo de próximo de casa!

25/03/07 - 3ª Comunidade Nossa Senhora Nazaré

O terceiro dia da excursão foi um belo domingo! (Agora sem contato com a família). Os trabalhos das equipes têm continuidade em mais uma comunidade. Havia chovido e o solo estava encharcado. Enfrentamos alguns desafios de percurso, como mosquitos e charcos de lama. Na manhã de domingo, as crianças estavam cedo na beira do rio fazendo sua higiene, enquanto outros ribeirinhos já passavam por nós bem arrumados em direção às suas respectivas atividades dominicais. Ainda pela manhã, conversamos com a professora Marileth que leciona para classe multisseriada (alfa, 1ª a 4ª serie) com 42 alunos. Ela ressaltou as dificuldades de trabalhar com várias séries juntas. Na oportunidade, trocamos experiências e encaminhamos algumas sugestões para contribuir com o processo de ensino e aprendizagem. À tarde, nos reunimos na igreja católica com as 37 crianças que marcaram presença conosco.

26/03/07 – 4ª Comunidade: Bom Jesus

No quarto dia de excursão já estamos interagindo muito bem com as demais equipes. Nesta comunidade, as saídas das equipes aconteceram por meio das voadeiras. Nossa companhia foi junto à equipe de Socioeconomia e visitamos a escola e algumas casas. À tarde enfrentamos um percurso com chuvas e fomos convidados do seu Raimundo, que nos acolheu servindo um delicioso café com macaxeira. Conhecemos o lindo Gabriel.

Aqui as crianças são extremamente ativas e não tivemos um bom espaço para desenvolver todas as atividades. Então ficamos com brincadeiras ao ar livre com as crianças de 7 a 14 anos e, para os pequeninos (3 a 6 anos), pintura. Escureceu muito cedo e os mosquitos avisavam que já eram 19 horas, hora de retornar ao barco Forest I. Na volta, a chuva nos acompanhou junto à escuridão da noite e os mosquitos.


27/03/07 - 5ª Comunidade: Santo Antonio

São belas as Samaumeiras! As equipes sobem um caminho em busca do material. Aqui, nossa companhia matinal foi com a equipe de Modelagem e Hidrologia, que executariam a medição da vazão sob a coordenação do professor Warley Arruda. Aproveitamos para iniciar a organização de nossos arquivos. À tarde, após a visita a Samaumeira, nosso contato foi diretamente com as crianças, com as quais nos reunimos no centro social e desenvolvemos as atividades. Era o aniversário da Luciene, a professora Kátia (tecnologia da informação) organizou um lanche para as crianças que aproveitaram a ocasião para cantar parabéns, fazendo brotar o sorriso no rosto daquelas crianças.
Aqui o futebol marcou a turma do Forest I

28/03/07 - 6ª Comunidade: MATRINXÃ

A rotina dos pesquisadores continua a todo vapor! Todas as equipes estão a postos precisamente às 06h30min da manhã, para mais um dia de trabalho. Nossa equipe acompanha a Socioeconomia. Aqui há um prédio escolar, mas infelizmente não há professor para atender as seis crianças residentes nesta comunidade. Com tristeza, contamos com os poucos moradores que ainda permanecem com suas famílias. Os moradores tendem a evadir e migrar para outros locais, como Codajás e outras cidades. As crianças demonstraram ser tranqüilas, embora tímidas, mas se divertiram com as pinturas e o jogo da memória. Apresentaram certo embaraço na execução do jogo, mas com muita compreensão e carinho, mudamos a metodologia do jogo. Foi tranqüilo o desenvolvimento das atividades. A linda Talita é muito esperta!


29/03/07 - 7ª Comunidade: Lauro Sodré

Ufa! Após quatro dias sem comunicar com a família, é hora de matar a saudade. Só um orelhão estava funcionando. As crianças, muito curiosas, nos recepcionam com calorosos abraços e nos acompanham constantemente. Nos presentearam com anéis de sementes, etc. À tarde nos organizamos com as oficinas, já que a Escola Higina Tavares oferecia uma ótima estrutura. Utilizamos três salas de aula e dividimos as crianças por faixa etária, ficando cada sala com uma atividade diferente: pintura, quebra-cabeça, jogo da memória, concentrando 65 crianças no mesmo horário.

A música encerrou as atividades. Contamos com a participação da engenheira florestal Laura no comando do quebra-cabeça, que também não deixou de enfatizar os cuidados com o meio ambiente para as crianças. No campo às 17 horas o futebol rolou legal! Tripulantes e pesquisadores, após as atividades, se revelam no campo da comunidade Lauro Sodré.



30/03/07 – 8ª Comunidade: Esperança II

Um sinal no celular! É esperança... O bom-dia sol está interagindo entre todos os pesquisadores. As equipes como sempre despertam às 6 hs para a jornada. Parece um lindo dia e após um bom e agradável café no comando do ilustre Villar (chefe de cozinha), vamos a campo. A essa altura já somos companheiros uns dos outros, as equipes interagiram com muita facilidade, descontração e união.

Pela manhã fomos até Esperança I acompanhadas pelo Jorge (11anos) e seu irmão Rogério (9 anos). O barqueiro foi o Joel, que nos mostrou um lindo percurso na tentativa de registrar os botos que volta e meia apareciam embelezando nosso caminho. Em Esperança I visitamos o professor Orlando, já aposentado, que adquiriu deficiência visual no exercício do magistério, mas não deixa de ter uma esperança viva em seu cotidiano, fazendo menção do nome de Deus por sua vida. Conversamos ainda com os professores da escola Dom Jackson que ficaram curiosos pelo material e jogos do Piatamzinho.

A escola está com sua estrutura comprometida e provavelmente será reformada. Atende o Ensino Básico e EJA totalizando 300 alunos. Os professores residem em Coari, a maioria já concluiu o Ensino Superior. Ainda pela manhã, fomos ao lago onde encontramos China e Shazam capturando peixes para a coleta de dado da equipe Ictiofauna; À tarde, a chuva dificultou um pouco as reuniões da Socioeconomia e, por conseqüência, as nossas atividades, pois as crianças não puderam chegar ao local combinado. Mesmo com o número de crianças reduzidas, conseguimos dar seqüência as nossas atividades. Estamos próximos a Coari. É noite, hora de partir!

31/03/07 9ª Comunidade Santa Luzia do Buçuiuzinho

Dizem ser a mais bela! Na reta final não há pesquisadores desmotivados, e sim com saudades e satisfação por mais uma etapa vencida. As equipes se espalham pelo rio Urucu, Terminal Tesol, floresta, rio, fauna etc. Aqui o foco da malária assinala alerta! Temos que começar e terminar cedo, antes das 18hs. às 4h da manhã o barco aporta nas praias de Buçuiuzinho. Após o café, subimos o barranco para conhecer a última comunidade.

É sábado, a escola está fechada, fomos à casa da diretora ao lado da escola, que nos falou de algumas necessidades da comunidade, entre elas um telefone. O tempo mudou, a chuva ameaçou cair... Caiu! Temos que voltar para o barco. À tarde, as crianças nos esperam na escola, vão chegando aos poucos... As atividades correram na mais perfeita harmonia, as crianças interagiram positivamente, são atenciosas e prestativas. Tudo certo! Agora é hora de voltar...

Valeu à pena enfrentar cada desafio nesta excursão para dialogar com as crianças e vê-las tão gratas por nosso simples gesto de atenção e carinho. É gratificante perceber a alegria e satisfação naqueles corações ribeirinhos. Valeu à pena cada olhar, cada gesto, cada abraço, cada música, cada brincadeira, cada momento compartilhado.

Essa realidade reflete a importância de se considerar e respeitar as diferenças e especificidades de cada localidade no contexto Amazônico. Agradeço pela agradável companhia de todos os integrantes dessa excursão, pelas experiências, trocas e amizades.

Abraços Amazônicos
Maely Amaro (Pedagoga)





Veja também
Diário de bordo do pesquisador Antonio José Inhamuns
Diário de bordo da pesquisadora Katia Cavalcante
Diário de bordo do pesquisador Carlos Freitas

 

AltSoluções Interativas