Inteligência Socioambiental Estratégica da Indústria do Petróleo na Amazônia

  Projeto Piatam realiza excursão pelo Solimões para construção de IDH das comunidades ribeirinhas

Parte de Manaus no próximo domingo, 10 de setembro, uma excursão de coleta de dados para a construção do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de nove comunidades dos municípios de Iranduba, Manacapuru, Anama, Anori, Codajás e Coari. Uma equipe de 15 pesquisadores deverá entrevistar cerca de duas mil pessoas e as informações coletadas servirão de parâmetro para que se possa, no futuro, avaliar as mudanças na qualidade de vida dos ribeirinhos.

A construção de um índice local para medir as condições de vida das comunidades ribeirinhas é uma iniciativa do projeto Piatam, que faz o monitoramento socioambiental do trecho do rio Solimões por onde é transportado o petróleo produzido em Urucu. Coordenado pela Universidade Federal do Amazonas e pela Petrobras, o Piatam também pesquisa as comunidades ribeirinhas existentes no projeto e por isso surgiu a idéia de criar o IDH-Piatam.

Há cerca de dois anos, os pesquisadores do projeto constataram que os IDHs oficiais da região não correspondiam à realidade das comunidades, já que apenas as sedes dos municípios são pesquisadas pelo IBGE. Assim, utilizaram a mesma metodologia de construção do IDH oficial, incorporando a ela novas informações para alcançar as especificidades das comunidades estudadas pelo projeto.

A excursão para coleta de dados terá a duração de 20 dias e será coordenada pelo Dr. Pery Teixeira, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e por Marilia Brasil, pesquisadora da Fiocruz. O trabalho de coleta, tabulação e revisão dos dados deverá durar sete meses e o relatório final está previsto para fevereiro de 2007. O IDH-Piatam terá aplicações práticas no projeto Piatam, mas poderá ser também um instrumento de grande utilidade para a análise de políticas aplicadas ao ambiente amazônico.

-Este será um trabalho pioneiro na área. Durante a pesquisa, serão coletados dados referentes à ocupação dos moradores, condições de vida das populações fragilizadas (como idosos e crianças), situação educacional das crianças e dados sobre as características demográficas, afirma Pery.

Utilizado em todo o mundo, o IDH foi desenvolvido em 1998 para oferecer um contraponto ao indicador mais utilizado até então, o PIB (Produto Interno Bruto), que avalia apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Muito mais abrangente, o IDH considera, além da renda, indicadores sociais como educação e longevidade. Com isso captura, ainda que indiretamente, informações ambientais. A expectativa de vida, por exemplo, está relacionada à qualidade do ambiente onde o homem vive.

Lucia Seixas



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