Inteligência Socioambiental Estratégica da Indústria do Petróleo na Amazônia

  Pesquisadores do Piatam prevêem estação de seca normal esse ano

Segundo a análise feita por pesquisadores do Projeto Piatam, a natureza não repetirá o rigor de 2005 para o Amazonas, mantendo a seca dentro dos padrões. De acordo com Assad José Darwich, doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior e pesquisador da Área de Limnologia do Piatam, apesar de não haver um programa estatístico que permita prever com exatidão o comportamento das águas dos rios, os índices indicam que os riscos de vivenciarmos as conseqüências da que foi terceira maior seca no Amazonas desde 1902 são muito pequenos.

Em meados de 2005, a acentuada redução nos níveis das águas já começava a causar surpresa, temor e indignação nos habitantes da região. Mas até o último dia 26 de setembro, no entanto, o nível dos rios no Amazonas estava, em média, 2,5 metros mais alto que há um ano, além de estar baixando mais devagar. Neste mesmo período no ano passado, o nível dos rios chegou a descer 20 cm em um dia. Hoje a média não tem ultrapassado 17 cm.

A análise foi feita durante a terceira excursão de 2006 do Piatam, um grande projeto de pesquisa socioambiental, coordenado pela Universidade Federal do Amazonas – Ufam e pela Petrobras, que também financia o projeto, ao lado da Finep. O Piatam monitora as atividades da indústria de petróleo e gás natural no rio Solimões. A previsão de que a seca desse ano não deve surpreender foi um dos resultados dessa excursão, que retornou a Manaus no último domingo, dia 24.

Os ribeirinhos também foram uma referência para confirmar o prognóstico dos pesquisadores. Segundo Kátia Cavalcante, doutora em Gestão do Conhecimento e da Informação e coordenadora desta excursão, moradores das nove comunidades estudadas pelo Piatam, que estão localizadas no trecho entre Manaus e Coari do Rio Solimões, afirmam que a marcação de alguns lagos não mudou significativamente de um dia para o outro. A pesquisadora também acredita que as águas devem começar a subir dentro de alguns meses.

Em 2005, mais de 32 mil famílias ficaram isoladas devido à impossibilidade de trafegar nos rios. Faltaram alimentos, água potável e medicamentos. Em outubro, pelo menos 600 escolas espalhadas pelas 914 comunidades em estado de calamidade pública foram fechadas, atrasando o ano letivo.

Denise Cunha, 27/09/2006



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